| Dos encontros inexplicáveis |
| sexta, 23 outubro 2009 | |
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Foi assim: eu subia a Augusta, poucos dias atrás em minha estada em São Paulo, para encontrar a tia, que me esperava às 21h30 no Center3 Shopping. Havia me atrasado em uns 10 minutos. A duas ou três quadras da av. Paulista, decidi cruzar para o outro lado da calçada, em diagonal, e vejo uma figura carismática e conhecida, que há mais de oito anos não via. Era justamente o Fabiano, colega das letras e de tantos cafés no Bar do Antonio do Campus do Vale, que descia com fones de ouvido, distraído. Hesitei em chamar, não tendo tanta certeza, e dado o escuro do trecho. Pelo sim e pelo não, chamei, mesmo correndo o risco do ridículo.
O Fabiano descia a rua vindo do trabalho, em hora e trajeto atípicos. Saiu mais tarde da agência neste dia, daí pegou uma carona com uma amiga, daí a amiga bateu o carro – nada de grave –, daí, por conta disso, foi jantar, e daí depois desceu para ir a casa. É crível que se possa reencontrar um amigo nessas circunstâncias, sem nenhum tipo de combinação, no miolo de uma cidade gigantesca como São Paulo? Há nisso alguma lógica? Fossem meus passos em diagonal 10 metros adiante, fosse ele ter chegado pelo caminho comum a casa, fosse a amiga não ter batido o carro, ou ele não ter ido jantar, ou fosse eu mesmo ter chegado à hora aprazada ao Shopping, e este encontro inexplicável jamais poderia ter acontecido. Talvez jamais voltássemos a nos ver na vida. No final de semana subsequente tivemos o privilégio de um chope no bar Charme da Paulista, em frente ao Masp. Algumas alegrias ainda puderam surgir, neste ano triste de 2009, que marca para sempre a perda de minha mãe. Reencontrar um grande amigo é uma delas. M., 23 de outubro de 2009
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